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"Mas ficou tão bom, por que o cliente não aprovou?"




Acredito que um grande tabu para boa parte dos designers freelancers seja a aprovação do cliente daquele job feito com tanto amor e dedicação. Vários profissionais me procuram, chamando in box, para falar sobre o assunto. Muitos deles chateados porque fizeram um trabalho com tanto afinco e não obtiveram o grandissíssimo SIM.


Em meus quase 17 anos de mercado já levei tanto não que se fosse desanimar já estaria em outra profissão. Vendo este “não” como problema, decidi estudar e achar formas para reduzi-lo, ou pretensiosamente, eliminá-lo.


Primeiro, temos que entender que mexer com o ser humano é difícil! Sendo assim, não há uma fórmula secreta para que você faça e acabe de vez com a desaprovação do seu trabalho. Cada cliente que vai até você, possui uma ideia exemplificada dentro de sua mente acerca do que deseja com relação à estética, e quando ele não tem essa ideia, tem um produto de resultado que espera, portanto ao avaliar o que você apresenta, poderá fazer uma ligação ao que ele imaginou esteticamente, ou avaliar se o que ele almeja de resultados seria alcançável com o layout que você desenvolveu (mesmo não entendendo nada). E como ele é leigo no assunto, mas mesmo assim dá pitaco, muitas vezes de forma infundada, tem que ter “jogo de cintura” para sair da negociação com bons resultados.




O grande problema ao enfrentarmos aprovação é quando há muito do “pessoal” envolvido. Como disse no parágrafo anterior, muitas vezes o cliente chega com uma ideia em mente, ou até mesmo um rascunho feito por ele ou amigo do primo do vizinho, e aquilo passa a ter um significado sentimental. Sendo assim é bastante delicado lidar com a situação como um todo.


Repetindo, não há uma fórmula para eliminar a rejeição de vez, visto que cada pessoa tem um perfil e enxerga o mesmo trabalho de uma forma, mas há maneiras de reduzir o nível de alterações. Uma dessas maneiras – para mim é a mais eficiente – é a janela de johari, um diagrama incrível que te possibilita cavar a personalidade do seu cliente e lidar com mais facilidade de acordo com seu ego. Ensino detalhadamente sobre esta ferramenta no meu curso, DESIGNER QUE EMPREENDE.



Falando agora do ponto de vista do profissional, antes de tudo, devemos nos fazer a seguinte pergunta: sou genérico ou criativo? O genérico é aquele que faz um projeto sem vivência alguma, utilizando elementos cliché; já o criativo é aquele que busca referências reais e ideias baseadas em um nicho específico, produzindo algo o mais exclusivo possível. Sendo assim, ao ser contratado para um trabalho, seja ele complexo ou simples, é de suma importância que, além de buscar conhecer o perfil do seu cliente pela janela de johari, você conheça o nicho qual ele está atuando. A dúvida e vontade de saber vai te fazer chegar a lugares incríveis e ter discernimento para criar. Portanto, ao observar uma referência de peso para o que você deseja executar, busque saber o motivo pelo qual elementos e tipografias foram utilizados.


Ao entrar no mundo do seu cliente e conhecê-lo, você verá o projeto o mais próximo possível dos olhos dele, e isso te dará uma grande vantagem. Quando você entende o significado e fundamento de cada elemento, fica mais fácil argumentar e surpreendê-lo, entregando algo até maior do que ele almejava.


Muitas vezes o cliente vai aprovar ou não sem critério algum, então prepare-se para isso! Quando ele tem critério é um pouco mais difícil ou fácil, depende do seu ponto de vista e/ou empenho. Se seu cliente for alguém instruído, ciente daquilo que almeja e com uma noção bastante realista da atuação de sua empresa, você terá um trabalho maior nessa pesquisa de elementos e significados, a fim de buscar algo que realmente impressione dentro de um mercado real, por outro lado, a aprovação poderá ser mais fácil pela facilidade que ele terá de entender o que fez – desde que faça um bom trabalho. Certa vez um designer veio até mim com a apresentação de um logotipo para determinada área, que seria apresentado para o cliente, e pediu minha opinião. Eu disse a ele que estava até bonito, mas totalmente fora do contexto real do nicho daquele cliente, e se ele tivesse consciência disso, não aprovaria por este motivo. Dito e feito, o cliente disse imediatamente que a simbologia não remetia ao nicho real dele. Sendo assim, reforço com você a ideia de que é preciso pesquisar para que faça algo incrivelmente bom, sem rebarbas para alterações ou reprovações.


Outro ponto forte, e talvez até mais importante, é o da credibilidade. Muitas vezes o cliente não te usa como profissional, mas apenas como ferramenta para expor o que ele quer. Quando isso acontece, muitas vezes, é furada e não dá jogo, mas das outras vezes é só uma questão de imposição direta ou indireta da sua parte. É preciso achar meios para que seu cliente te dê credibilidade e confie no seu trabalho. Existem infinitas formas de conseguir isso, mas as que julgo ser mais importantes são:




Portfólio

Ter um bom portfólio com trabalhos REAIS mostra para seu cliente que você é capaz de atender a demandas mercadologicamente reais, e justifica a confiança que ele depositará em você a fim de criar seu projeto sem uma supervisão, acreditando no resultado final.


Estrutura

Não importa se é um home office ou um estúdio, mas tem que ser algo no mínimo apresentável. Seu cliente dará mais credibilidade a você se tiver uma estrutura bem organizada, arejada, confortável, onde ele possa ser atendido bem e fique claro que você não está “brincando na frente do computador”, mas sim trabalhando.


Formalização

Formalizar uma negociação é, além de um ato de segurança, uma forma de mostrar que você é profissional e está assegurando garantias da qualidade do trabalho.


Argumentação

Não basta você criar algo e dizer que é padrão, que está bonito ou que é assim que se utiliza no nicho. Você precisa se preparar para justificar o porquê de ter feito aquilo daquela forma. Cada elemento deve ter uma funcionalidade e, para isso, é preciso expor de forma clara e objetiva para seu cliente.


Persuasão

Como um resumo de todas as anteriores, a persuasão é uma característica nata de todo bom vendedor (claro que nós também somos vendedores). Persuadir é convencer de que você está certo e de que o cliente precisa fazer aquilo que está sugerindo, baseado em diversas características e motivos, muitas vezes, alienados aos elementos utilizados no projeto. E isso inclui o portfólio, estrutura, formalização e argumentação. Resumindo, é você pegar tudo isso e “esfregar” na cara do seu cliente para que ele aceite que ir por você é o melhor caminho.




Ter aprovação de um cliente logo de cara é uma conquista a longo prazo que nunca deverá ser acomodada, mas sim cultivada para que continue a surpreender. Como eu disse, cada pessoa é de um jeito, e cabe a você usar a melhor estratégia para que seu cliente sinta-se acolhido. 


Tenha plena consciência de que ele não deseja contratar os serviços de um cara ultra arque mega power pica das galáxias nos programas de edição, mas sim um profissional que o permita dormir melhor sabendo que o trabalho está em boas mãos, com uma pessoa responsável, capaz de atender demandas REAIS. Portanto, lembre-se disso quando estudar ou pensar em vender seu trabalho: a ostentação de técnica te fará mais famoso entre os seus colegas de trabalho, mas seus clientes não ligarão muito para isso, ainda mais se você não der conta de criar algo dentro da realidade de seu nicho, e que gere resultados.




E para finalizar, tenha paciência e evite brincadeiras que demonstrem que você não é o tipo de profissional de aprovação imediata. Lembra-se do que disse com relação a credibilidade? Pois é... tem muita gente vendo o que você posta, só não fala diretamente com você. Exalte sua profissão, não a denigra. Busque impressionar seu cliente de várias formas possíveis, cative-o e tenha o gosto de várias aprovações imediatas.


Sucesso a todos!





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