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10 Dicas sobre como não conseguir clientes



Desde 2012 estudo sobre designers e seus comportamentos. Já participei de inúmeros projetos de pesquisa onde aborda diversas áreas diferentes, com 90% do meu foco em designers, publicitários e fotógrafos. Isso me permitiu criar o curso “Designer que Empreende”, onde, na verdade, o primeiro teste foi feito em mim mesmo.

 

Porém, com o passar do tempo, já pesquisando há 5 anos, percebi que há uma enorme vontade de alguns profissionais da área de comunicação em NÃO conseguir clientes (você não leu errado, eu disse NÃO mesmo). Percebi que muitos designers, publicitários, fotógrafos, na verdade, só querem ter reconhecimento e mostrar para o colega o quanto são bons, e que muitas vezes o cliente é um grande empecilho para tal. Sendo assim, decidi pegar as 10 características mais comuns neles para relatar a vocês. Ressalto que não é um simples post, piada, conversa com o amigo, mas sim a postura geral, o conceito que acaba sendo criado e que adotamos, modificando toda nossa percepção, distorcendo tudo e nos levando para um caminho onde a falta de trabalho e perspectiva é o resultado final.

 

1 – Dedique-se a aprender o máximo possível de softwares

Não precisa dominar completamente, mas aprenda o máximo de programas possível! Não precisa refletir sobre a demanda, sobre mercado onde mora, sobre a falta de tempo pra estudar tudo, etc. Você só precisa iniciar, aprender uma coisinha e com uma habilidade medíocre estará perfeito!

Isso tornará você um profissional meio termo, com nenhum tipo de especialização para gerar resultados reais para seu cliente. Ideal para realizar um projeto e provar para seu cliente que ele precisa contratar outro mais especializado no assunto.

 

2 – Use e abuse do conteúdo para seus concorrentes

Mostre que você é foda! Dedique boa parte do seu tempo para elaborar projetos fictícios grandiosos, sem utilidade, mas com linda aparência, só para mostrar para seus amigos que você manda bem e merece ser ovacionado na rede. Explore o máximo possível do seu potencial para obter likes e inflar o próprio ego. Isso é infalível.

Esta atitude levará você para um mundo que não existe, onde você passará a mensurar seu sucesso de acordo com o comentário de alguns profissionais em seus trabalhos, reforçando a ideia de que não precisa de clientes e que está no caminho “certo”. É fantástico quando chega uma conta pra pagar e você não consegue pagá-la com volume de ego.

 

3 – Tenha objetivos pequenos

Carro? Casa? Passeios? Que nada... isso são coisas  surreais que você não precisa. Prefira coisas menores, como um smartphone de última geração, daqueles que caem 70% do valor depois de um ano. Prefira sonhar com um computador de R$30 mil muito acima do seu volume de produção – afinal, se não tem clientes, pra que tanto potencial de produção? Ou melhor ainda, sonhe com alguns gadgets inúteis que te farão viver eternamente com 13 anos de idade.

Isto fará com que você não tenha incentivo para sonhar grande e buscar meios de conquistar cada vez mais mercado. Sem contar que sonhos grandes demandam cada vez mais bons clientes, que paguem bem, mas sejam exigentes, e você terá que se superar para fazer trabalhos cada vez melhores. Esta atitude é perfeita quando você decide sair da casa dos pais e percebe que tende a morrer de fome.

 

4 – Deprecie sua profissão

Utilize o humor para depreciar sua profissão, mostrando o quanto você é inútil na vida das pessoas e que o mercado não precisa de você. Deixe bem claro para todos – com o pretexto do humor – que você é um nada e não consegue gerar NADA de bom para quem te contratar. Comparações com outras profissões, mostrando o quanto você é derrotado por escolher a profissão que escolheu, são simplesmente perfeitas.

Isso gera, inconscientemente, dentro de você uma sensação de desvalorização que com o tempo passa a ser normal, e você passa a achar algo comum, o qual não precisa ser trabalhado para mudar. Com o tempo, as brincadeiras geram um sentimento tão coeso que seu amor pelo trabalho desaparece e você nem sabe o motivo. Isso é perfeito para abaixar sua autoestima e impedir de buscar clientes por achar-se incapaz.





 

5 – Na dúvida, culpe o sobrinho

Se estiver em uma situação na qual não sabe o que fazer ou dizer, culpe o sobrinho! Se o cliente te trocou por outro que o atendeu melhor, culpe o sobrinho! Se não conseguiu entender o cliente e resolver o problema dele, culpe o sobrinho! Se o briefing não foi bem feito e precisou fazer alterações, culpe o sobrinho! Perdeu o contrato porque não passou firmeza, culpe o sobrinho! Seu PC queimou, culpe o sobrinho! O dia está quente, culpe o sobrinho! Seu time perdeu, culpe o sobrinho! Jesus foi crucificado, culpe o sobrinho! E por aí vai...

Isso tirará de você a responsabilidade da própria vida, de inovar e buscar fazer a diferença para seu público-alvo, tornando um alívio colocar a culpa em alguém que nem trabalha sob contexto profissional, ou somente chamando de “sobrinho” aquele que é melhor do que você. (se doeu, desculpa, mas na dúvida, culpe o sobrinho).


 

6 – Tenha referências ruins

Busque ter como referências pessoas que nunca construíram nada de concreto, apenas ostentam bons argumentos, palavras bonitas e/ou técnicas glamourosamente fantásticas. Opte por pessoas que digam coisas que te façam sentir bem, confortáveis, estáveis, sendo exatamente aquilo que você quer ouvir e não seja duro, retirando de sua zona de conforto.

Isso fará você se espelhar em pessoas que nunca produziram de verdade, apenas ensinam como produzir (confuso, mas é por aí), e você acabará ficando estagnado com um grande sonho, sem o mínimo de atitude para modificar.

 

7 – Beleza é tudo

A beleza é o que importa, o resto é resto! Fontes lindas, cores legais, proporção áurea casando “lindamente”, isso sim é o que importa. Seu cliente quer resultados reais, e para tal, ele quer que você utilize as melhores ferramentas sem se importar com os meios. Sendo assim, trabalhar de acordo com seu gosto, sem observar uma demanda real com situação mensurável é o melhor que você faz para se afastar cada vez mais do seu público.

Isso criará em você uma sensação de semideus, onde terá dificuldade em enxergar a necessidade do cliente e ficar cada vez mais irritado ao ser questionado quando não fizer o que seu contratante precisa para que tenha resultados em seu negócio. É uma sensação maravilhosa quando o cliente troca a gente por outro que o compreendeu melhor. Mas como disse no item 5: quando isso acontecer, culpe o sobrinho!

 

8 – Mantenha apenas colegas de profissão em seu círculo pessoal/profissional

Esta é uma grande sacada para não ter clientes, e nem é tão difícil de conseguir. Ela tem um pouco a ver com o item 2, porém um pouco mais específica. Tenha em seu círculo profissional (pessoal também) apenas contatos de outros designers, a ponto de você não ter nem a quem recorrer quando precisar de algo ainda que pequeno. Atente-se somente em eventos onde a única e exclusiva presença seja de profissionais como você, para que tenha assunto para falar sobre todos os itens aqui citados.

Isso tirará de você toda e qualquer noção de relacionamento e vivência mercadológicos, deixando você enterrado nos conceitos técnicos de sua profissão e sem a menor noção da viabilidade de trabalho em outros nichos lucrativos. Tenha em mente que, se você não precisa de clientes, para que ter pessoas que possam contratar seus serviços, ou mesmo indicar, em seu círculo social/profissional?


 

9 – Tenha apenas teoria

Ação, vivênvia, know-how, prática, boa vontade, atitude: são coisas de quem quer angariar muitos clientes, então FUJA DELAS! Abuse das teorias, dos nomes estrangeiros que não querem dizer meleca nenhuma, mas fazem você parecer descolado e culto perante seus colegas. Tenha muitas ideias e teorias mágicas, mas fuja das vivências, dos estudos práticos de mercado, das conversas com empreendedores de outros ramos REAIS, etc.

Isso fará você pensar que sabe algo, mas te dará aquele medo na hora de executar de verdade, te afastando completamente da possibilidade de gerar resultados reais e mensuráveis para seus clientes. Ter mais teoria do que prática é excelente para inflar o próprio ego e se iludir achando que sabe tudo.

 

10 – Problematize o cliente: ele é seu inimigo

Para fechar com chave de ouro, vamos ao centro do alvo, falando diretamente sobre o maior inimigo do profissional de comunicação: O CLIENTE! Problematize a relação com ele o máximo possível. Poste piadas e ofensas ligadas diretamente a ele. Exercite diariamente a problematização. Utilize sua criatividade para criar meios de ridicularizar seu cliente, afinal, ele é um empecilho para sua canonização. Atualmente você pode encontrar até páginas especializadas em problematização, e isso é um avanço e tanto pois você pode se inspirar através delas ou somente compartilhar o que propagam.

Isso reforçará a ideia de que um cliente é péssimo para seu negócio! Mesmo que ele não veja o que posta, isso pode criar em você um conceito de que cliente é algo fútil e desnecessário, do qual sua única função é infernizar a vida do santo e sagrado designer gráfico. Isto é fantástico para não pagar contas no final do mês.



 

E aí, achou absurdo?

 

Conheço alguns designers que não estão nesta vibe, e aposto uma moeda de ouro como eles estão torcendo por você ler este artigo e seguir passo a passo do que foi dito. Afinal, concorrência fraca gera grandes clientes para quem sabe trabalhar.

 

Mais absurdo ainda é saber que o ramo de comunicação é o único que tem profissionais que tratam clientes como inimigos, como empecilhos para o crescimento, sendo que este crescimento só acontece com a presença de clientes de ponta.

 

Seja humilde! Entenda que o valor vem de você, e antes de cobrar milhares, terá que mostrar que você merece estes milhares, pois gera resultados através de todos os estudos que praticou ao longo do tempo. Entenda que nenhum cliente irá te contratar pelas ferramentas que usa, mas sim pelo produto final que produz e o resultado gerado diante do público-alvo dele.

 

Se você não quer se livrar dos clientes, tá aí 8 comportamentos para você NÃO FAZER! E na dúvida, não culpe o sobrinho.

 

Sucesso a todos.





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